Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Afuera se irán la pena y el dolor
Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán
Y ya, ya veras, bebamos y emborrachemos la ciudad
-Fito Páez, “Y Dale Alegría a Mi Corazón”
Depois do estadual e do nacional, chegamos a jóia da coroa: a Copa Sul-Americana. Antes de achar que este que vos escreve anda usando drogas, calma.
A Copa Sul-Americana é a “outra” competição continental de nosso canto do mundo. Nos países vizinhos, ela também é chamada de La Otra Mitad de La Gloria, e carrega muito mais respaldo também. Notoriamente, a cultura da continentalidade não é parte forte do nosso futebol, o que acaba criando causos como o que o Mauro Cezar Pereira citou semana passada; temos a mania de achar que na América do Sul só há Brasil e dois times da Argentina – o resto não existe. Por conta disso, há certo desprezo pela Sul-Americana por parte do grande público que acompanha a mídia caolha e pacheca, que inclusive influencia na conversa: quando o time ingressa lá, muito se fala em obter vaga ao invés de ganhar este título, o que já demonstra a grandiosa e imensa ambição da maioria dos times que participam.
Mas divago.
A razão desse blábláblá todo é simples: a Sul-Americana é do formato ideal para times como o nosso que sonham com pretensões libertadoras. Ainda mais agora com as mudanças recentes no futebol nacional que deram novo formato à Copa do Brasil, na qual a partir de ano que vem, os times que disputam a Libertadores poderão participar – o que aumenta consideravelmente o aperto da competição. Já que este ano nós não participamos, a situação é um tanto mais complicada nesse quesito. Entretanto, La Otra ganha um apelo todo especial nessas condições, simplesmente por ser mais viável do que se imagina. Primeiro, pode-se preparar para ela com maior antecedência, já que é disputada no returno de nosso calendário; não há o mesmo peso das forças continentais que há na Libertadores (embora sempre haja algum gigante disputando) e, para nós brasileiros, fica debaixo do radar. Não está nas “prioridades” do público a não ser nas etapas finais, onde já se tem idéia se o caneco tá na mão ou não.
Por fim, barrando um time completamente avassalador como a Universidade do Chile do ano passado, é uma competição que pode ser vencida. Isso é o ponto chave da questão. Indago ao leitor: tirando La U (que francamente, foi o melhor time do continente na temporada, desculpem-me os santistas), se o Figueirense estivesse na Sul-Americana, não haveria certa chance? Ora, ao menos daria pra se enroscar num delírio continental…
É óbvio que a diretoria e a comissão técnica têm suas idéias e seus planos para o time. Acho que, sinceramente, esse ano será caracterizado pela manutenção do time na meiuca da tabela (como eu havia dito no post sobre o Brasileirão) e dane-se o resto. Gostaria de estar enganado. Gostaria de ser surpreendido e ver o time metendo a faca nos dentes pra encarar isso como algo possível, e não como obrigação de calendário esperando que, por alguma iluminação dos deuses do futebol, uma classificação para ir à fase continental caia no colo.
Evidentemente que haveria a necessidade de ver o trabalho do time durante a temporada, analisar determinados aspectos buscando melhorias e talvez dar mais profundidade ao plantel, mas ninguém disse que essa naba é fácil. Mas, se não for para sonhar, que não se jogue mais e nem se torça mais; pois só morre de arrependimento quem jamais tentou alçar um vôo mais alto.
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