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February, 2012 Monthly archive

Vocês sabem o que representou a vitória do Figueirense por 1×0 no primeiro clássico do ano, domingo na Ressacada? Nada. Exatamente. Nada. Nem pra quem ganhou, sem merecer, nem pra quem perdeu, que não soube ganhar mesmo jogando melhor.” (MENEZES, Cacau)

O nada se transformou na arrancada do Figueirense ao título do turno. Quatro vitórias consecutivas (Criciúma, Avaí, Brusque e Camboriú) culminaram com a conquista do principal time de Santa Catarina, o único na Série A, o que começou os treinos bem depois dos adversários.

Independente do que viria a acontecer, o Figueirense fez sua parte, venceu adversários diretos, além de contar com a amarelada dos rivais. A vitória no Clássico realmente seria um nada se o time jogasse a toalha, coisa que não aconteceu. Enquanto alguns desdenharam da manutenção do tabu na Ressacada (desde 2006 o Figueira só vence ou empata lá) outros trabalharam.

Returno

A vitória no turno dá apenas uma vaga nas semifinais da competição. Vencer o returno garante outro lugar nas semifinais. O Figueirense já está lá, mas agora o treinador Branco poderá testar algumas peças e contar com os reforços de Pittoni, Fernandes e Saldívar.

Mesmo com afagos da vaquinha Mimosa, quem desdenhou da vitória no Clássico (que representa muito para nós florianopolitanos) hoje chora e continua a ver o alvinegro na frente seja no estadual ou no Campeonato Brasileiro.

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Apesar de desmentir num primeiro momento, nesta semana o Figueirense confirmou a saída do ex-coordenador das categorias de base, Bruno Costa. Ontem o São Paulo anunciou a contratação do experiente treinador, Renê Simões, para comandar o setor responsável pelos jovens tricolores. Uma aposta ousada e diferente do habitual no Brasil.

Hoje os times sub-15, sub-17 e sub-20 são formados para vencerem, apenas isso. É ótimo vencer, ser campeão. O que deveria ser a consequência tornou-se regra. A cobrança por títulos sobre garotos de 15, 17 e 20 anos é cada vez maior. O próprio São Paulo, que busca um novo rumo, teve um recente episódio onde seu presidente disse que “alguém teria que pagar pela eliminação na Copinha”. Este, um torneio disputado por jogadores de até 18 anos, ou seja, em formação.

A Copa São Paulo é um episódio a parte na história do Figueirense. Campeão em 2008, o clube não aproveitou, revelou, nem vendeu por uma boa quantia nenhum daqueles jovens. O que aconteceu com o time campeão quatro anos depois foi tema de um post de Marcelo Nunes no MeuFigueira (veja aqui).

Não é preciso ser pesquisador do futebol para saber que nenhum dos campeões em 2008 teve sucesso na carreira em times pequenos ou medianos. Nos grandes nem pensar. A estrela daquela companhia era Talhetti, hoje reserva do Brusque.

Longe de desmerecer a conquista do Figueirense no principal torneio de juniores do Brasil e do mundo, mas o time montado pelo competente Rogério Micale era armado para defender e buscar a vitória em lances isolados. Deu certo na Copa São Paulo e só! Até hoje o alvinegro utiliza da mesma premissa, haja vista os jogos transmitidos pelo Sportv no Campeonato Brasileiro sub-20. É aquele “Deus nos acuda” lá atrás, bico pra frente e esperança em Deretti e William Pottker.

O clube em evidência no mundo hoje é o Barcelona que obriga, disse obriga, os treinadores da base a usarem o mesmo esquema da equipe principal, uma espécie de 4-3-3 com obstinação pela posse de bola. Não é atoa que 8 dos 11 titulares são oriundos das famosas canteras (nome atribuído aos campos da base do Barça). Resultados? Pouco importam. O orgulho dos dirigentes catalães é ter cada vez mais jogadores formados em casa, alguns destes craques como Messi, Iniesta, Xavi e Fábregas.

Que o próximo coordenador traga novos conceitos ao Figueirense. Não basta vencer estadual e torneio caça-níquel espalhado pelo Brasil. É preciso revelar jogadores (até para fazer caixa) e cultivar o gosto de vestir a camisa alvinegra desde pequeno ao invés de fazer lobby na CBF.

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Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Afuera se irán la pena y el dolor

Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán
Y ya, ya veras, bebamos y emborrachemos la ciudad

-Fito Páez, “Y Dale Alegría a Mi Corazón”

Depois do estadual e do nacional, chegamos a jóia da coroa: a Copa Sul-Americana. Antes de achar que este que vos escreve anda usando drogas, calma.

A Copa Sul-Americana é a “outra” competição continental de nosso canto do mundo. Nos países vizinhos, ela também é chamada de La Otra Mitad de La Gloria, e carrega muito mais respaldo também. Notoriamente, a cultura da continentalidade não é parte forte do nosso futebol, o que acaba criando causos como o que o Mauro Cezar Pereira citou semana passada; temos a mania de achar que na América do Sul só há Brasil e dois times da Argentina – o resto não existe. Por conta disso, há certo desprezo pela Sul-Americana por parte do grande público que acompanha a mídia caolha e pacheca, que inclusive influencia na conversa: quando o time ingressa lá, muito se fala em obter vaga ao invés de ganhar este título, o que já demonstra a grandiosa e imensa ambição da maioria dos times que participam.

Mas divago.

A razão desse blábláblá todo é simples: a Sul-Americana é do formato ideal para times como o nosso que sonham com pretensões libertadoras. Ainda mais agora com as mudanças recentes no futebol nacional que deram novo formato à Copa do Brasil, na qual a partir de ano que vem, os times que disputam a Libertadores poderão participar – o que aumenta consideravelmente o aperto da competição. Já que este ano nós não participamos, a situação é um tanto mais complicada nesse quesito. Entretanto, La Otra ganha um apelo todo especial nessas condições, simplesmente por ser mais viável do que se imagina. Primeiro, pode-se preparar para ela com maior antecedência, já que é disputada no returno de nosso calendário; não há o mesmo peso das forças continentais que há na Libertadores (embora sempre haja algum gigante disputando) e, para nós brasileiros, fica debaixo do radar. Não está nas “prioridades” do público a não ser nas etapas finais, onde já se tem idéia se o caneco tá na mão ou não.

Por fim, barrando um time completamente avassalador como a Universidade do Chile do ano passado, é uma competição que pode ser vencida. Isso é o ponto chave da questão. Indago ao leitor: tirando La U (que francamente, foi o melhor time do continente na temporada, desculpem-me os santistas), se o Figueirense estivesse na Sul-Americana, não haveria certa chance? Ora, ao menos daria pra se enroscar num delírio continental…

É óbvio que a diretoria e a comissão técnica têm suas idéias e seus planos para o time. Acho que, sinceramente, esse ano será caracterizado pela manutenção do time na meiuca da tabela (como eu havia dito no post sobre o Brasileirão) e dane-se o resto. Gostaria de estar enganado. Gostaria de ser surpreendido e ver o time metendo a faca nos dentes pra encarar isso como algo possível, e não como obrigação de calendário esperando que, por alguma iluminação dos deuses do futebol, uma classificação para ir à fase continental caia no colo.

Evidentemente que haveria a necessidade de ver o trabalho do time durante a temporada, analisar determinados aspectos buscando melhorias e talvez dar mais profundidade ao plantel, mas ninguém disse que essa naba é fácil. Mas, se não for para sonhar, que não se jogue mais e nem se torça mais; pois só morre de arrependimento quem jamais tentou alçar um vôo mais alto.

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O Brasil é um país livre. Sem considerar o conceito subjetivo de liberdade, onde ainda encontraríamos milhões de “escravos”, dependentes da ajuda do Governo para sobreviver, essa afirmação é verdadeira. Temos liberdade de crença, de ideologia, de orientação sexual e, o mais importante, de expressão. O artigo 5º da Constituição, no seu inciso IV diz: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”. A liberdade de expressão permite que todos os cidadãos possam se manifestar sobre os mais diversos assuntos. Algumas manifestações são inteligentes, pontuais. Outras, nem tanto. E essa tênue linha, entre liberdade e libertinagem de expressão, tem sido constantemente violada.

Antes de continuar o raciocínio, cabe uma explicação: em momento algum eu defendo que esse princípio, o da liberdade, seja diminuído. Explicação dada, voltemos ao que interessa. No domingo, antes do primeiro Clássico de 2012, o cronista Marcos Castiel, da RBS, sugeriu, ao vivo pela rádio CBN, que o Figueirense adotasse um novo hino. Justificou dizendo que o atual não tem “empatia popular”, que a torcida não o canta, e que o Figueirense merecia ter um hino tão belo quanto o do Bvai.

As sandices do Castiel são públicas e notórias. Este consegue um feito até hoje só conquistado por Delfim de Pádua Peixoto Filho e Clésio Moreira dos Santos, que das suas ruindades, cada um em sua área, não agradam gregos nem troianos. Os Alvinegros os acusam de azulinos e vice-versa. Ocorre que até domingo, os impropérios do Castiel estavam reservados à opinião futebolística. Ruim, diga-se de passagem. Mas pelo nível da imprensa esportiva catarinense, nem dá pra exigir coisa melhor. Até domingo, devaneios como colocar o Robinho, famoso pipoqueiro, superior ao Roni, eram até compreensíveis, já que não agrediam ninguém. Mas domingo tudo mudou.

Ao ligar sua metralhadora de besteiras, Castiel agrediu a torcida, o Clube e a obra de Detto e Nego Tucá, este já falecido. A Diretoria do Figueirense Futebol Clube não pode se omitir. Deve buscar a retratação. Dirá que tem “licença poética”, resguardado pela liberdade de expressão. Pois, então, que me permita fazer três comentários sob a mesma “licença poética”: quem não tem “empatia popular” é o seu blog, fraquíssimo em conteúdo; se o Sr. quiser julgar obras artísticas, que o faça no concurso de marchinhas da sua empresa, deixe o futebol, que não é sua área mesmo, para quem entende; e, parafraseando o mestre Romário, o Sr. calado é um poeta.

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Pela primeira vez o treinador Márcio Goiano volta ao Scarpelli na condição de comandante da equipe rival. O Criciúma, que ao derrotar o Figueirense criou o “fato” para a queda, é o adversário desta noite.

Desde a saída do Scarpelli em fevereiro de 2011, Goiano passou por Grêmio Prudente, São Caetano,  Goiás e Criciúma. Não obteve êxito em nenhum dos times. Mas sempre consegue implantar sua forma de jogo baseada em posse de bola e riscos defensivos (o atual Tigre ainda não demonstra isso).

Este toque de bola que tornou o Figueirense um time bonito de se ver. O estilo implantando em 2010 com peças desacreditadas como Maicon e Lucas e reveladas com Bruno, Juninho e Willian caiu no gosto da torcida. O povo tinha prazer de ver o alvinegro em campo.

Os títulos não vieram (considero o 2º lugar na Série B de 2010 uma conquista), mas o legado permaneceu. A posse de bola elogiada por todo o Brasil na Série A de 2011 teve grandes méritos de Goiano. Lapidada por Jorginho, a forma de jogar levou o Figueira ao 7º lugar na elite nacional.

O criador do melhor futebol visto no Scarpelli após 2006 retorna na condição de adversário. Irá enfrentar um time sem peças importantes das temporadas passadas que hoje luta para retomar aquele velho toque de bola tantas vezes criticado.

O chutão, artifício usado pelos defensores alvinegros em 2012, podia ser esquecido pelo menos nesta quarta-feira como forma de reverenciar quem tanto fez e venceu com a camisa do Figueirense seja na condição de capitão ou de treinador.

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