O Figueirense faz parte da minha vida desde 1987 quando nasci. No estádio lembro claramente de 1994 em diante. Neste período vi jogadores como Barbosa, Zé Clei, Sandro Ventura, Carlos Alberto, Biro Biro, Marcos Toloco, Edmundo, Genílson, Márcio Goiano e Fernandes. Muitos proporcionaram extremas alegrias e comparar o futebol de todos acima não tem cabimento.
Na memória do torcedor há momentos inesquecíveis como o gol do Marcos Toloco na Série C de 96 no último minuto contra o Lousano Paulista, a decisão por pênaltis contra o Francana também em 96. O alvinegro teve trocentos jogadores superiores aos que citei acima, porém poucos deles deram tanta alegria à torcida.
Entre os que vi está Fernandes. Maior artilheiro da história do Figueirense, 13 anos de clube, categoria descomunal, caráter fora de série, etc, etc. O camisa 10 alvinegro é amado por todos. Para nós, é craque. Para o restante do país só mais um jogador, até um mero desconhecido.
O excesso de lesões o prejudica desde o início no Scarpelli. Primeiro foram vários problemas na clavícula, depois contusões musculares. Talvez por isso Fernandes não tenha deslanchado e deixado o Figueirense para brilhar em times maiores. Talvez a idolatria torne-o maior do que realmente é.
Este deve ser o último ano com a camisa que tanto ama. A idade e o físico já não suportam o ritmo forte de um jogo. A marcação está cada vez mais pegada e as exigências de ir e voltar o tempo todo desgastam quem tem que pensar. Porém são as velhas lesões que fazem crer que em breve veremos Fernandes fora de campo, na função de dirigente ou algo parecido.
A assessoria de imprensa acaba de confirmar nova lesão muscular, a terceira no ano. Serão 30 dias no DM mais alguns para retomar a parte física. A volta do 10, se acontecer, deve ser somente na Série A. Na condição de reserva e sofrendo com o desgaste de uma carreira repleta de contra-tempos, os últimos momentos do maior artilheiro do clube tornam-se a cada dia mais próximos. O fim está chegando, infelizmente.
O futebol já não é o mesmo de outrora. Desde 2010 vive de lampejos como na vitória sobre o Bahia na Série A. As jogadas de gênio continuam na lembrança do torcedor. A expectativa de vê-las em campo diminui, mas ainda está presente no coração dos alvinegros. Embora tenha uma carreira infinitamente inferior a de outros camisas 10 do Figueira como Edmundo, Cícero, Cleiton Xavier, Fernandes será o maior deles. Na nossa memória ninguém fez mais do que ele, ninguém deu mais alegria do que ele.
Um gol contra o Avaí, um lance contra a Chapecoense, um título conquistado representam muito. Fernandes faz parte do sonho ideal do alvinegro, por isso é ídolo!
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