— Meu Figueira / Blog

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March, 2012 Monthly archive

O Figueirense faz parte da minha vida desde 1987 quando nasci. No estádio lembro claramente de 1994 em diante. Neste período vi jogadores como Barbosa, Zé Clei, Sandro Ventura, Carlos Alberto, Biro Biro, Marcos Toloco, Edmundo, Genílson, Márcio Goiano e Fernandes. Muitos proporcionaram extremas alegrias e comparar o futebol de todos acima não tem cabimento.

Na memória do torcedor há momentos inesquecíveis como o gol do Marcos Toloco na Série C de 96 no último minuto contra o Lousano Paulista, a decisão por pênaltis contra o Francana também em 96. O alvinegro teve trocentos jogadores superiores aos que citei acima, porém poucos deles deram tanta alegria à torcida.

Entre os que vi está Fernandes. Maior artilheiro da história do Figueirense, 13 anos de clube, categoria descomunal, caráter fora de série, etc, etc. O camisa 10 alvinegro é amado por todos. Para nós, é craque. Para o restante do país só mais um jogador, até um mero desconhecido.

O excesso de lesões o prejudica desde o início no Scarpelli. Primeiro foram vários problemas na clavícula, depois contusões musculares. Talvez por isso Fernandes não tenha deslanchado e deixado o Figueirense para brilhar em times maiores. Talvez a idolatria torne-o maior do que realmente é.

Este deve ser o último ano com a camisa que tanto ama. A idade e o físico já não suportam o ritmo forte de um jogo. A marcação está cada vez mais pegada e as exigências de ir e voltar o tempo todo desgastam quem tem que pensar. Porém são as velhas lesões que fazem crer que em breve veremos Fernandes fora de campo, na função de dirigente ou algo parecido.

A assessoria de imprensa acaba de confirmar nova lesão muscular, a terceira no ano. Serão 30 dias no DM mais alguns para retomar a parte física. A volta do 10, se acontecer, deve ser somente na Série A. Na condição de reserva e sofrendo com o desgaste de uma carreira repleta de contra-tempos, os últimos momentos do maior artilheiro do clube tornam-se a cada dia mais próximos. O fim está chegando, infelizmente.

O futebol já não é o mesmo de outrora. Desde 2010 vive de lampejos como na vitória sobre o Bahia na Série A. As jogadas de gênio continuam na lembrança do torcedor. A expectativa de vê-las em campo diminui, mas ainda está presente no coração dos alvinegros. Embora tenha uma carreira infinitamente inferior a de outros camisas 10 do Figueira como Edmundo, Cícero, Cleiton Xavier, Fernandes será o maior deles. Na nossa memória ninguém fez mais do que ele, ninguém deu mais alegria do que ele.

Um gol contra o Avaí, um lance contra a Chapecoense, um título conquistado representam muito. Fernandes faz parte do sonho ideal do alvinegro, por isso é ídolo!

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Ao que parece, o velho sonho do novo estádio está surgindo para a realidade; com o projeto já apresentado, os primeiros passos estão sendo dados para a realização da idéia. Entretanto, o discurso passional por vezes nos faz esquecer que tais ambições não necessariamente trazem o bem imediato do clube.

Antes que me chamem de agourento, lá vai: o Beira-Rio, estádio do Internacional, corre sérios riscos de ficar fora da Copa do Mundo, devido aos problemas e ausência de resoluções referentes aos contratos de financiamento e construção. O que era pra ser um grande benefício ao clube está começando a se tornar um tremendo problema devido a batata-quente da responsabilidade, onde todos dizem que a culpa é do outro na base do “não-depende-de-mim” e fica nessa até o momento que a água bate na bunda e chamam por um socorro que provavelmente vai ferrar a todos os envolvidos no longo prazo; pois você, cidadão contribuinte da República Federativa do Brasil, sempre tá na mira pra ser o grande fiador e salvador da pátria do bolso alheio.

A razão disso é simples: é muito fácil brincar com o coração do torcedor. Chega um novo capitão-da-província falando de títulos, estádio novo, time forte, planejamento de dez anos pra se tornar referência nacional, etc e o escambau a quatro e pronto: temos um novo herói, um verdadeiro defensor de nosso estandarte e bom líder que ESTE SIM fará com que nosso time ascenda aos céus.

Passam três temporadas, o fogo tá cozinhando baixo na décima-quarta posição, o time vai-mas-não-vai, o estádio novo sumiu ou as obras foram interditadas por falta de dinheiro, a posição financeira do clube se diz fragilizada e estamos na terceira troca de técnico. Não precisa ser um grande filósofo do futebol tupiniquim pra saber que isso, infelizmente, é algo que já quebrou alguns clubes muito tradicionais de nosso país.

Felizmente (ou por ora ao menos), não é o nosso caso. O Figueirense já mostrou que há gente de trabalho cerebral lá dentro, o que  ajuda a construir credibilidade para essa nova etapa. O “contudo” que faço aqui é mais por precaução e por saber que nosso futebol tem memória de peixe com Alzheimer: nessa brincadeira toda vi quase nada sendo falado sobre a antiga Participações – cujo discurso era muito semelhante de estádio e engrandecimento do time – onde as consequências foram fortes ao bolso do clube e ao coração do torcedor alvinegro. Arrisco ainda a dizer que há certas coisas da nossa atualidade que são parte daquela ruptura: a relação de dependência com o empresário Eduardo Uram, por exemplo, tem profundas raízes aí.

Não sou contra o novo estádio – acho que é um projeto interessantíssimo por promover o crescimento estrutural do Figueirense, que se bem utilizado, trará muitos benefícios. O problema principal está mais no “como vai ser?”  do que o “que será”. Não adianta fazer um estádio moderníssimo de 25 mil lugares se a média de público fica ligeiramente abaixo da metade do Orlando Scarpelli. Certas coisas terão que ser repensadas: o valor dos ingressos, programas de afiliação, como adequar isso a realidade econômica local… Além de questionamentos fundamentais que precisam ser respondidos e mostrados a público, como por exemplo: em quantos anos  será feito o pagamento do custo da obra, de onde vai sair o dinheiro, se vai haver diminuição da capacidade de investimento ao futebol, etc. Tudo isso é essencial para que essa idéia traga o máximo de benefícios com os prejuízos sendo colocados tão somente no absolutamente necessário.

Caso contrário, quem pode acabar tendo que segurar a bronca somos nós, torcedores do Figueirense.

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